sábado, 5 de maio de 2018


mirando o mar
com o tato
constato
sou tão profunda quanto.
as mãos tocam fundo
no fundo do além-mar
estalam estrelas
aconchegam conchas
mãos visionárias
tocam trépidas pedras
que se perdem na mira(via)gem
de volta.








pesco palavras no ar
rabiscósmicos
linhasiderais
versosuspensos
etéreos
alfagamabetas



sou a sombra de mim desmedida
enroscada nos remendos alinhavados do tecido gasto
imensurada nos cortes profundos
das fendas deixadas à mostra: carne sã
das brechas acidentais das saliências vãs
enlaçada nos egos que teimo em descosturar
eu,
vestida de outras texturas e outros textos
Nem me reconheço.



sexta-feira, 4 de maio de 2018


Se me chamasse paulo-pedro-joão, não daria rima nenhuma.
Muito menos solução.
De pedra a pedra: preposições no meio do caminho.
Mas não sei não
não preciso de conhaque para estar comovida.
não preciso de conhaque para estar comoavida.


Resolvi juntar
lírico com onírico:
deu onilírico
o oniilismo do poematriz
a base do sonho perdido
feito o catar feijão do poema cabralino
há de se jogar fora o que boiar
O que flutua se perde, divaga, voa.
fica o seco, a pedra, a insônia, o risco.




Na terra brasilis de encantos mil
é expressamente permitida a língua babel-papel
Na poesia mix de pós-quase-tudos:
ainda gorjeiam aves e ecos de concretizismos de vanguarda
ainda bradam odes, insultos, foras, fus e urros
ainda pipocam versoswaldianos de caetano
(que man-infestam verbos, pronominais e tais)
ainda derrubam prateleiras-estátuas-estantes
e vestem seus versos do avesso do avesso do avesso.




Blá blá blá de botequim


No palavreado do erudito
do joão-pedro-josé
(vulgo Ipsis Literis)
tem lirismo comedido
Faça sol ou chuva
o cara veste camisa padrão culto
e vai comprar pé-de-moleque
medindo a língua no formato mesóclise
E o hífen se fazendo de burro...
querendo aglomerar
aglutinar vocábulos encabulados
da emboscadarapucarmadilha
da gramática norma ativa.